Esteticismo fin-de-siècle: o grotesco decadente (Daniel Augusto P. Silva)

fotoblog“Desenvolvida na Europa e no Brasil a partir do final do século XIX até meados do século XX, a ficção decadente se notabilizou por sua atração pelo artificial e por aquilo que contraria as leis da natureza. Nessa ficção, a descrição de objetos grotescos, antinaturais, foi realizada a partir de uma linguagem bastante trabalhada e estetizada. Paradoxalmente, em diversas narrativas, tal esteticismo promoveu a percepção do grotesco como algo belo e refinado. Para demonstrar exemplos do grotesco decadente, esse artigo propõe a análise de Monsieur de Phocas (1901), de Jean Lorrain, de Dança do Fogo: o Homem que não queria ser Deus (1922) e de Kyrmah: Sereia do vício moderno (1924), dois romances de Raul de Polillo.”

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos Anais do XV Congresso Internacional da ABRALIC. Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


A insólita presença da personagem sem voz em “O Grande Deus Pã”, de Arthur Machen (Shirley de Souza Gomes Carreira)

Resultado de imagem para the great god pan“Na obra do escritor galês Arthur Machen, essa dualidade assume características próprias, uma vez que mistura as vertentes da literatura de horror a descobertas científicas e à consequente inquietação que produziram na sociedade vitoriana. Seu envolvimento com o ocultismo levou-o a distanciar-se do modelo gótico e a incorporar em seus textos a crença mística de que o mundo ordinário oculta outro mundo, cujo desvelamento pode levar à loucura e à morte. Em O grande deus Pã, cuja primeira versão foi publicada no periódico The Whirlwind, em 1890, Raymond, um cientista especialista em fisiologia cerebral e praticante de medicina transcendental, opera o cérebro de uma jovem, Mary, reorganizando partes do mesmo, de modo que ela possa encontrar “O grande deus Pã”, metáfora do conhecimento absoluto.”

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos anais do III Congresso Internacional Vertentes do Insólito Ficcional (SEPEL 2016). Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.

 


O papel do outro no horror cósmico de H.P. Lovecraft (Bruno da Silva Soares)

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“Cabe entender que essas intertextualidades e adaptações além de contribuírem para a apreciação contemporânea da obra do autor, tornando-o um símbolo canônico do gênero do Horror, não seriam a única possibilidade de comparatismo que a obra de Lovecraft possibilita. Ao lidar com a relação de expectativa do “Outro”, aqui referido no conceito freudiano de reafirmação individual do “Eu” a partir da perspectiva de outrem, o autor cria imbricações culturais comuns ao seu tempo: limitar a dinâmica literária entre o herói modelo, branco, anglo-saxão e culturalmente tido como superior por deter a razão; versus o subalterno caricatural, na forma do latino americano, oriental e africano, desprovido de formação moral e escolástica, dado a superstições e que acaba – em sua ignorância – sendo o portador das desgraças do Horror Cósmico ao mundo.”

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos anais do III Congresso Internacional Vertentes do Insólito Ficcional (SEPEL 2016). Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


Heróis, nevrosados e fatais: os vilões decadentes (Daniel Augusto P. Silva)

Image result for ficção decadente huysmans“A ficção decadente é, essencialmente, uma literatura de vilões. Em suas páginas, são minuciosamente explicitadas algumas das ações mais transgressivas para a sociedade do final do século XIX. Nessas narrativas, acompanhamos não apenas o desenrolar de crimes violentos e de ações cruéis, mas também a exploração sistemática de taras e de transgressões diversas. A fim de realizarem seus desejos por sensações intensas e por novas experiências estéticas, as personagens decadentes agem deliberadamente contra a ordem social e contra as leis. Ao longo dessa busca, elas não se importam com as consequências morais de suas escolhas e se tornam símbolos de maldade e de vilania. […] Para identificar como surgem na ficção decadente essas personagens caracterizadas como más e torpes, propomos a análise de quatro romances: Às Avessas (1884), de J.-K. Huysmans, a obra paradigmática da decadência; Monsieur de Phocas (1901), de Jean Lorrain; Dança do Fogo: o Homem que não queria ser Deus (1922) e Kyrmah: sereia do vício moderno (1924), ambas narrativas escritas por Raul de Polillo, um autor brasileiro praticamente desconhecido das letras nacionais e mesmo por parte da crítica especializada. “

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos anais do III Congresso Internacional Vertentes do Insólito Ficcional (SEPEL 2016). Republicamos aqui, com autorização do própriao autor, com fins puramente acadêmicos.


“William Wilson”: o retorno do significante (Ana Maria Agra Guimarães)

Resultado de imagem para william wilson illustration“O presente artigo busca interpretar o conto “William Wilson”, de Edgar Allan Poe, à luz da teoria do fantástico, que tem como característica principal a hesitação, transitando entre a verossimilhança e inverossimilhança e instalando no texto a ambiguidade. O texto também se apoia na psicanálise, mostrando como um significante forcluído pode retornar em forma de horror. No caso, do conto interpretado, o conceito do duplo é o elemento principal que faz surgir o desconhecimento do personagem em relação à constituição de sua própria subjetividade.”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Aletria, v. 22, n. 1 (2012).Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


Jekyll e Hyde: alquimia e feitiçaria (Vinícius Lucas de Souza)

Resultado de imagem para ilustração jekyll and hyde“Ao se vislumbrar o conto “William Wilson” (1839), de Edgar Allan Poe, o tema do duplo (Doppelgänger) perpassa toda a narrativa. Com a premissa de que esse conto é um marco nessa temática, como afirma Otto Rank, estudioso de tal motivo, pode-se dizer que a denominação “Complexo de William Wilson” seja adequada para representar três elementos que emergem da narrativa mencionada de Poe: a existência de uma segunda personagem que compartilha traços físicos e psíquicos da personalidade “original”; o Unheimliche (tal como definido por Sigmund Freud em seu ensaio “O ‘estranho’” (1919)), o familiar e estranho impregnando uma mesma personagem (o outro; o duplo); e o espelho, auxiliador da manifestação do Doppelgänger. Tendo em mente o referido Complexo, o que se almeja demonstrar nesta comunicação é como os dois primeiros braços do Complexo de William Wilson são revisados no romance O médico e o monstro (Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde, 1886), de Robert Louis Stevenson. Com uma ampliação da abordagem da segunda entidade e com uma inovação no elemento unheimlich, o romance em questão ressignifica o tratamento do Complexo de William Wilson. A partir da revisão desses dois fatores, Henry Jekyll revela-se não somente um cientista, mas também um alquimista em direção a um experimento transcendental, cujo produto é a vinda de Edward Hyde, o assassino repulsivo que se configura como um necromante, ao incutir sobre si um conjuro capaz de causar a morte àqueles que observam a transformação que envolve Jekyll e Hyde.”

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(*)Republicamos esse ensaio aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


A temática da ciência em “Palestra a horas mortas” (1900), de Medeiros e Albuquerque (Marina Sena)

Imagem relacionada“O presente artigo tem como objetivo demonstrar de que forma o conhecimento e o pseudoconhecimento relacionado ao campo da medicina são utilizados para narrar atos transgressivos, descrever cenários de horror e caracterizar como “transtornadas” personagens que possuam o desejo de conhecimento excessivo ou que ultrapassem os limites impostos pela sociedade. Para tal, será analisado o conto “Palestra a horas mortas” (1900), de Medeiros e Albuquerque”.

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos Anais do XV Congresso Internacional da ABRALIC. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.