O Gótico-Naturalismo na literatura brasileira oitocentista (Marina Sena)

hysteria-phase1-525x323“O presente estudo tem como objetivo identificar e descrever a presença de elementos característicos da tradição literária do Gótico na poética naturalista – especificamente no Naturalismo brasileiro – no período compreendido entre 1880 e 1899. Parte-se da hipótese de que a desilusão com os rumos do mundo moderno manifestada por escritores naturalistas como Aluísio Azevedo, Rodolfo Teófilo e Adolfo Caminha pode ser descrita como uma “visão de mundo gótica”, que, em conjunto com o discurso estetizado e pretensamente científico utilizado pelos autores, deram forma a uma nova poética surgida na virada do século, o Gótico-Naturalismo. Para entender como o Gótico-Naturalismo foi compreendido pela crítica e pela historiografia brasileiras, analisa-se a fortuna crítica dos três escritores mencionados, a fim de demonstrar como o “desvio” do Naturalismo em direção ao Gótico foi frequentemente identificado como literatura romântica ou de evasão, e, consequentemente, como de valor estético inferior. Por fim, identifica-se os principais topoi desta poética híbrida, utilizando como exemplos narrativas brasileiras. Nestes termos, a pesquisa busca, portanto, demonstrar que o Naturalismo não se distanciou de sua própria poética ao absorver elementos da tradição gótica, mas apenas incorporou técnicas e recursos narrativos que eram adequados à expressão dos autores de sua escola e que eram condizentes com o espírito de época suscitado pelas mudanças finisseculares.”

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Úrsula e a vertente do gótico feminino no Brasil (Ana Paula A. dos Santos)

o-pesadelo“No presente trabalho pretendemos analisar de que forma a tradição feminina do Gótico explorou a conflituosa relação entre as personagens mulheres e os seus antagonistas. Para tanto, propomos uma leitura de Úrsula (1859), romance da escritora brasileira Maria Firmino dos Reis, cujo enredo explora o abuso de poder e a opressão gerada pelas leis familiares, e tem, na figura do vilão gótico, um páter-famílias, a principal causa dos horrores da narrativa.”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Mulheres e Literatura, v.19. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.


O lúgubre e a morte nos desenhos animados de Tim Burton (Mariana Silveira dos Santos Rosa & Michel Goulart da Silva)

large“Discute-se neste artigo as representações do lúgubre e da morte no desenho animado Noiva Cadáver, dirigido por Tim Burton, problematizando a forma como nessas narrativas o mundo dos mortos é representado de forma positiva em contraste com um mundo dos vivos triste e perigoso. Procuraremos discutir também de que forma o imaginário acerca da morte construído nos últimos séculos dialoga com a forma da composição do filme de Tim Burton.”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Litteris. v. 01, n. 12. Republicamos aqui, com autorização dos próprios autores, com fins puramente acadêmicos.


II Seminário de Estudos do Gótico – UFTM (Uberaba/MG), 29 a 31 de maio de 2017

10922108_339538719586910_2008192744_nO Grupo Interinstitucional de Pesquisa Estudos do Gótico (CNPq) promoverá o II Seminário de Estudos do Gótico (SEG), a ser realizado nos dias 29, 30 e 31 de maio de 2017, na Universidade Federal do Triângulo Mineiro – UFTM, situada em Uberaba/MG. Em virtude da celebração do tricentenário de Horace Walpole (1717-1791), o objetivo do Seminário é o de promover reflexões em torno da relevância do autor para as configurações do Gótico na literatura, bem como para outras manifestações artísticas e estéticas.

Nesta edição, o SEG ocorrerá em parceria com o VI Simpósio Internacional de Estudos Linguísticos e Literários (SELL), cujo tema é Tempos, territórios e linguagens: fronteiras múltiplas. Assim, os interessados terão a chance de participar de ambos os eventos.

Todas as informações serão divulgadas em breve na página oficial do VI SELL..


Frenético e melodrama: os vampiros de Polidori e Nodier (Ana Luiza Silva Camarani)

superimagem-megacurioso-193894120004184784“Charles Nodier foi um dos grandes responsáveis pela divulgação do romance gótico ou roman noir na França, o qual passou a denominar ‘frenético’, remetendo ao exagero que caracterizaria esse tipo de literatura. No início do século XIX, no romantismo francês, uma intensa circulação estabelece-se entre o frenético e o melodrama em um intercâmbio de autores, motivos e procedimentos literários. A partir de 1820, o melodrama instala-se no sobrenatural, sobretudo com Le vampire de Nodier, composto em colaboração com Jouffroy e Carmouche; esse melodrama, adaptado do texto de Polidori, The vampire, publicado em 1819, harmoniza-se com o retorno de popularidade por que passa o gothic novel. Essa união do frenético ao melodrama deixa ver duas tendências literárias bastante fecundas no romantismo francês, que se irmanam ainda no sentido em que respondem aos anseios de um público fatigado por séculos de racionalismo e ávido por toda a espécie de sensações e sentimentos.”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Itinerários, n. 34 (2012). Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.


The vampyre (John William Polidori)

51mqn7opi3l“Naquele tempo, apareceu no meio da agitação de um inverno em Londres, e nas numerosas reuniões que a moda ali conciliava nessa época, um lorde mais notável ainda por suas singularidades do que por sua posição. […] Sua figura era regularmente bela, não obstante a coloração sepulcral que reinava em seus traços, a qual nunca era animada nem pelo amável rubor fruto da modéstia, nem pelas fortes emoções engendradas pelas paixões.”

Leia aqui a novela completa, em inglês


Lord Ruthwen, ou Les vampires (Charles Nodier)

“Ouve-se soar uma hora ao timbre argentino de um sino distante. O tam-tam a repete de eco em eco gradativamente […] Todas as sombras elevam-se no momento em que a hora retine. Sombras pálidas saem pela metade e voltam a cair sob a pedra tumular, à medida que o ruído se dissipa no eco. Um espectro vestido com uma mortalha evade-se do mais visível dos túmulos. Seu rosto encontra-se descoberto. Ele precipita-se até o local em que miss Aubrey está adormecida, gritando: Malvina!”

Leia aqui a peça completa, em francês