Expressões do gótico no sertão brasileiro: morbidez e necrofilia no conto A dança dos ossos, de Bernardo Guimarães (Fabianna Simão Bellizzi Carneiro)

15588727373_d82a340259_m“O conto ‘A dança dos ossos’ fomenta importantes elementos que nos levam a questionar esse papel atribuído ao homem do campo: ignorante, supersticioso e atrasado. Como se dá a construção dessa imagem? Que sociedade era essa? Política e economicamente o que vivenciávamos no Brasil? Mais ainda: como a Literatura Fantástica, e no caso específico deste trabalho a vertente gótica, captura acontecimentos tão emblemáticos e marcantes e os transforma em expressões artísticas que traduzem as vivências do homem do sertão finissecular?”

Leia o ensaio completo

 (*) Esse ensaio foi publicado originalmente em 2014 nos Anais do II Congresso Internacional Vertentes do Insólito Ficcional. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.


XV Encontro ABRALIC – UERJ, 19 a 23 de Setembro de 2016

logo-xv-abralic-finalNesta semana, a UERJ sediará o XV Encontro da Associação Brasileira de Literatura Comparada (ABRALIC). O Grupo de Pesquisa Estudos do Gótico propôs o simpósio “Estudos do Gótico: de suas origens setencentistas à contemporaneidade”, coordenado pelo Professores Claudio Zanini (UNISINOS) e Júlio França (UERJ).

Informações sobre horários e comunicações podem ser encontradas no site oficial do evento (http://www.abralic.org.br).

Esperamos por vocês.


O espaço como elemento irradiador do medo no conto Uma noite sinistra, de Afonso Arinos (Bruno Silva de Oliveira)

dead_desert_by_limontea-d62dugk“Nas atuais pesquisas sobre Teoria Literária que focam o espaço, não se pensa mais que esse elemento diegético é um mero pano de fundo; vislumbra-o como um fator de grande importância para o desenvolvimento e à análise da narrativa. O espaço é um elemento dinâmico que está em constante transformação, construído a partir da intencionalidade do narrador, retrata os sentimentos das personagens que ele encera; estabelecendo uma relação de interdependência constitutiva entre os dois, pois é por meio do espaço que a personagem se materializa, ele “só existe porque se faz natureza em que o homem se penetra” (GOULART, 2012, p. 58), ou seja, o espaço sofre e exerce influência das/sobre as personagens.”

Leia o ensaio completo

(*) Esse ensaio foi publicado originalmente em 2014 nos Anais do II Congresso Internacional Vertentes do Insólito Ficcional. Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


Uma noite sinistra (Afonso Arinos)

after_dark_new17-2“A janela, num grito estardalhaçante, escancarou-se e uma rajada rompeu por ela adentro latindo qual matilha enfurecida; pela casa toda houve um tatalar das portas, um ruído de reboco que cai das paredes altas e se esfarinha no chão.

A chama do rolo apagou-se à lufada e o cuiabano ficou só, babatando na treva .(…)

Lembrando-se da binga, sacou-a do bolso da calça; colocou a pedra com jeito e bateu-lhe o fuzil; as centelhas saltavam para a frente, impelidas pelo vento, e apagavam-se logo. Então, o cuiabano deu uns passos para trás, apalpando até tocar a parede do fundo. Encostou-se nela e foi andando para os lados, roçando-lhes as costas, procurando o entrevão das janelas. Aí, acocorou-se e tentou de novo tirar fogo: uma faiscazinha chamuscou o isqueiro e Manuel Alves soprou-a delicadamente, alentando-a com carinho; a princípio, ela animou-se, quis alastrar-se, mas de repente sumiu-se.”

Leia aqui o conto completo


Do castelo ao casarão: reverberações do gótico inglês no regionalismo brasileiro (Alexander Meireles da Silva)

Ron+Erwin-Getty+Images“Se existe uma concordância crítica sobre a influência da França em relação à formação da Literatura Brasileira, o mesmo não pode ser dito da cultura inglesa. No entanto, e ao contrário da visão comumente aceita de que a cultura inglesa exerceu pouca influência sobre nossa formação literária, se pode observar desde o Romantismo o diálogo consistente estabelecido entre a tradição da vertente romanesca do romance gótico inglês e os artistas nacionais. Esta literatura desembarcou ainda na segunda década do século XIX via edições portuguesas ou traduções francesas, vindo abastecer o meio intelectual brasileiro de românticos como José Alencar, Bernardo Guimarães e Álvares de Azevedo, apenas para citar os nomes que tiveram inegável contato com esta literatura. Mais uma vez, e semelhante aos monstros que buscam sobreviver a todo custo, o gótico se adaptou ao meio brasileiro. Dentro deste quadro, como este trabalho pretende demonstrar, existe uma nítida presença no Regionalismo brasileiro, desenvolvido desde o Romantismo, de obras cuja estrutura se assemelha às encontradas no gótico inglês. Para a demonstração desta afirmação se tomará como corpus de análise os contos ‘A marca da besta’ (1890), do britânico Rudyard Kipling e ‘Lobisomem’ (1931), do brasileiro Valdomiro Silveira, duas obras centradas na figura do lobisomem.”

Leia o ensaio completo

(*) Esse ensaio foi publicado originalmente em 2014 nos Anais do II Congresso Internacional Vertentes do Insólito Ficcional. Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


A marca da besta (Rudyard Kipling)

werewolves-211x300“Ao leste de Suez, alguns acreditam, termina o controle direto da Providência; O homem lá colocado está entregue aos poderes dos deuses e demônios da Ásia, e a Providência da Igreja da Inglaterra exerce um controle apenas ocasional e alterado no caso dos ingleses.

(…)

Viu isso? A marca da b-besta! Eu fiz isso. Não está legal?”

Leia aqui o conto, em inglês


Lobisomem (Valdomiro Silveira)

wolfman“A quinta família inda é home’, patrão: olhe que já ‘tá beirando os sete, e conta de sete é ruim numa irmandade. Quando bate nos sete, vancê bem sabe que sai um lubisóme

(…)

Ora, que mal eu fiz p’ra Deus, que decerto me vai pinchar este castigo tirano de sete filhos home’s sem nem ûa menina? Se eu não roubei, não matei, não rondei donas alheias!”

Clique aqui para comprar Nas serras e nas furnas, de Valdomiro Silveira