O papel do leitor no horror lovecraftiano: extrapolação e subversão em “The Innsmouth Heritage” (1992) de Brian Stableford (Daniel Iturvides Dutra)

Resultado de imagem para the innsmouth heritage“O presente artigo visa analisar o universo literário de H.P. Lovecraft, conhecido como Mitos Chtulhu, sob a perspectiva do papel do leitor na produção de sentido do texto. Analisaremos, num primeiro momento, a releitura que Brian Stableford fez, em seu conto “The Innsmouth Heritage” (1992), da obra de H.P. Lovecraft. Num segundo momento discutiremos o papel do leitor, e como o conhecimento deste acerca dos Mitos Cthulhu, mais especificamente sobre a novela A Sombra em Innsmouth (1936) de H.P. Lovecraft, influencia a interpretação de “The Innsmouth Heritage” (1992). Para tanto utilizaremos a teoria do leitor-modelo de Umberto Eco, combinada com o trabalho de Tzevan Todorov sobre o “estranho” e “o fantástico”, para demonstrar que “The Innsmouth Heritage” pode ser lido tanto como um texto fantástico ou estranho, dependendo do quanto o leitor está familiarizado com a obra de H.P. Lovecraft.”

(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Abusões, n. 4, v.4.. Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.

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A Sombra de Innsmouth (H. P. Lovecraft)

22164702“Na narrativa de A Sombra de Innsmouth, uma raça de seres submarinos conhecidos como “Os Abissais” há muito tempo emergiu da superfície para procriar com os habitantes da pequena cidade portuária de Innsmouth – parte de um acordo que prometia riqueza aos habitantes – gerando assim uma raça de seres metade humana e metade anfíbia. A raça híbrida de Innsmouth é imortal e, durante a juventude, possuem uma aparência humana, vivendo normalmente na superfície. Porém, à medida que envelhecem, a raça híbrida aos poucos perde seus traços humanos e adquire traços cada vez mais anfíbios, e, por fim, se juntam aos “Os Abissais” no fundo do oceano. O protagonista, que narra em primeira pessoa, descobre a verdade sobre Innsmouth e alerta o governo norte-americano, o que culmina num ataque destrutivo a cidade por parte da Marinha dos Estados Unidos.”

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The Innsmouth Heritage (Brian Stableford)

3640“A diferença entre o roubo literário e o empréstimo literário é semelhante à da mutação benéfica e injusta, sendo a relação observada não diferente daquela relacionada à mutação biológica (…). Os processos mutacionais aos quais as ideias recicladas são rotineiramente sujeitas são muitos e variados, mas é fácil identificar algumas categorias gerais, sendo as mais importantes a extrapolação, inversão, perversão e subversão.”

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O corpo feminino no cinema de horror: representações de gênero e sexualidades nos filmes Carrie, Halloween e Sexta-Feira 13 (Gabriela Müller Larocca)

Resultado de imagem para carrie 1976“Nos Estados Unidos, o final da década de 1970 viu surgir uma força política reacionária à contracultura dos anos 1960 e às suas forças libertárias, que organizava e avançava seu projeto apoiada por eleitores que temiam o término da segregação racial e os novos valores sexuais e morais. Críticas ao feminismo, à homossexualidade, ao aborto, ao divórcio e à “falta de autoridade social” começaram a ser tornar mais articuladas e frequentes, sendo que tal neoconservadorismo contou com o apoio da produção cultural e encontrou no cinema um forte aliado. O horror cinematográfico possui diversos subgêneros, sendo um deles denominado como slasher (derivado da palavra da língua inglesa slash, que significa retalhar ou cortar) surgindo no final da década de 1970 e atingindo grande popularidade nos anos 1980. Seus enredos geralmente contam a história de um psicopata que persegue e mata um grande número de vítimas, masculinas e femininas, sendo estas em sua grande maioria adolescentes, transgressores sexuais, marcados para a destruição devido a seus comportamentos e envolvimentos com bebidas, drogas ilícitas e sexo. Em 1976 Brian de Palma dirigiu o filme Carrie, a Estranha, no qual a figura feminina é tratada com desconfiança e cuja sexualidade é reprimida por diversos fatores. A personagem principal adquire uma conformação monstruosa devido às conotações com a sexualidade de uma jovem que chega à adolescência. Poucos anos mais tarde, são sucessivamente lançados os filmes Halloween (1978) de John Carpenter e Sexta-Feira 13 (1980) de Sean S. Cunningham, ambos trazendo fortes elementos de violência contra o corpo feminino, com características conservadoras em relação à sexualidade, família e maternidade. A presente pesquisa, iniciada em 2014, propõe identificar e analisar a construção dessas produções cinematográficas e suas representações de gênero e sexualidade, bem como a abordagem específica em relação às mulheres, alvo preferencial da violência e da punição em tais produções. Ademais, deveremos refletir sobre a importância da maternidade e da feminilidade no gênero fílmico de horror, como parte de uma longa tradição cultural que as associam ao mal, assim como as incertezas, medos e inseguranças que despertam numa sociedade ainda marcadamente patriarcal. Pretende-se explorar como tais filmes representam um ajustamento visível nos termos de representação de gênero e da figura feminina num contexto cultural estadunidense abertamente reacionário, se mostrando em consonância com as reações políticas e culturais conservadoras da década de 1980.”

Leia o ensaio completo aqui.

(*)Esse ensaio foi publicado originalmente nos  Anais do XV Encontro Estadual de História. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.


As metamorfoses do monstro: imagens da Coisa no cinema e na literatura popular (André Cabral de Almeida Cardoso)

Resultado de imagem para the thing john carpenter illustration“No conto “The Things”, publicado em 2010, Peter Watts apresenta uma versão do filme The Thing, dirigido por John Carpenter, escrita do ponto de vista do monstro. Trata-se de um dos últimos elos de uma corrente de criação e adaptação que começa em 1938, com o conto “Who Goes There?”, de John W. Campbell. As mudanças pelas quais essa história passou apontam para transformações em nossas concepções a respeito da subjetividade, nossos medos e nossos desejos. A mais surpreendente dessas transformações talvez seja a conversão da criatura criada por Campbell de um objeto de horror indescritível para uma encarnação do desejo utópico, um ser que busca trazer comunhão para seres humanos isolados e fragmentados. O que mudou para fazer com que a possibilidade de ser absorvido pelo alienígena deixe de ser a temida extinção do “eu” para se tornar uma fantasia de integração e comunicação total? A criatura em “The Things” oferece uma vida em perpétuo fluxo que apaga as fronteiras da identidade. O objetivo deste artigo é discutir como a história cambiante da Coisa pode revelar alguns aspectos das transformações sofridas pelo ideal moderno de identidade e sua ligação com o corpo como o local do desejo utópico. Parte dessa história é a espetacular explosão do corpo em imagens cinematográficas e a projeção de sua interioridade para a superfície. A transformação da Coisa numa imagem marca um ponto essencial nas alterações que a noção de subjetividade vem sofrendo no mundo contemporâneo.”

Leia o ensaio completo aqui.

(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Aletria, v. 23, n. 3 (2013). Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


The Things (Peter Watts)

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“Eu era um explorador, um embaixador, um missionário. Eu me espalhei pelo cosmo, encontrei mundos incontáveis, tomei comunhão: os aptos remodelavam os inaptos e o universo inteiro foi se erguendo aos poucos, em incrementos infinitesimais, cheio de alegria. Eu era um soldado, em guerra contra a entropia. Eu era a mão através da qual a Criação se aperfeiçoa.”

Leia o conto completo, em inglês, aqui, e adquira o livro aqui.


Who Goes There? (John Campbell)

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“Nós temos o que vocês, sua raça de outro mundo, obviamente não têm. Um instinto que não é uma imitação, mas algo moldado na medula dos ossos, um fogo que nos impele, que não pode ser apagado e que é genuíno. Nós vamos lutar, lutar com uma ferocidade que você pode tentar imitar, mas nunca vai igualar! Nós somos humanos. Nós somos reais. Vocês são imitações, falsos até o núcleo de cada célula.”

Leia o conto completo aqui e adquira o livro aqui.