Interseções entre os gêneros policial e gótico em Pedro Bandeira (Márcio Alessandro de Oliveira)

foto blog“Este trabalho é o exame de duas narrativas do brasileiro Pedro Bandeira (1942): Anjo da Morte (1988) e Pântano de Sangue (1987), cuja diegese, como se pretende demonstrar nos capítulos a elas correspondentes, emprega a fórmula do romance policial ao mesmo tempo que se serve dos três elementos precípuos do Gótico literário: o locus horribilis, o fantasma do passado histórico e o monstro. Em Anjo da Morte tais componentes configurariam o Gótico no Brasil, formado por elementos estrangeiros situados no Brasil ou em outro país por escolha de um autor brasileiro, ao passo que em Pântano de Sangue evidenciariam um Gótico brasileiro, caracterizado pela ocorrência de elementos deste gênero com cores autóctones. O objetivo principal é o de investigar o modo como as duas aventuras de Pedro Bandeira se inserem na tradição da narrativa policial, gênero em que as personagens são extremamente racionais, e o modo como empregam os referidos ingredientes do Gótico. Este mantém o medo como o ponto de contato em comum mais visível com o gênero policial. No caso específico de Pedro Bandeira, certos tipos de obscuridade, como torres, passagens secretas e prisões, guarnecem o locus horribilis, o passado histórico que assombra o presente e o monstro, marcados, nas produções literárias aqui examinadas, pelo fantástico-estranho, e não pelo fantástico-maravilhoso.”

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(*) Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Letras e Linguística da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), no ano de 2018. Republicamos aqui, com fins puramente acadêmicos.

 

 


Um vasto prazer, quieto e profundo (Eliane Robert Moraes)

Imagem relacionada“A descrição da tortura de um rato, no conto “A causa secreta” de Machado de Assis, pode parecer tímida se comparada às cenas de suplício narradas por Sade. Todavia, uma leitura mais atenta encontrará ali as condições essenciais para a eclosão de uma misteriosa forma de prazer que costuma estar associada à figura do “sádico”. Uma tal aproximação surpreende ainda mais quando se constata que o sadismo do protagonista do conto assume contornos bem mais verossímeis do que as inconcebíveis fabulações de crueldade dos devassos do marquês. Este texto parte do confronto entre os dois autores, valendo-se do diálogo entre uma dimensão estética (o realismo) e outra ética (o mal), na tentativa de propor uma interpretação do conto machadiano.”

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos anais do Revista Estudos Avançados (USP), v. 23, n. 65.. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.


Nos subterrâneos do gótico feminino moderno: um olhar em “O Jardim Selvagem”, de Lygia Fagundes Telles (Camila Batista e Alexander Meireles da Silva)

Resultado de imagem para o jardim selvagem lygia“O que vale ressaltar é o devido interesse em atentar para a personagem como heroína a partir das suas transgressões mesmo havendo indícios de modelos patriarcais. Neste conto, Lygia Fagundes Telles abre as possibilidades de reflexão para as relações homem/mulher. Temos o aspecto da mulher fatal como heroína gótica perante a sua transgressão, confrontando as margens que incumbira desde os primórdios da tradição patriarcal. Daniela era o que queria ser, talvez somente para ela, podendo optar por isso, não transparecendo totalmente sua essência, sendo, como Tio Ed dizia, um “jardim selvagem”.”

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Aspectos góticos na estrutura narrativa de “Sarapalha”, de Guimarães Rosa (Júlio França e Daniel Augusto P. Silva)

Resultado de imagem para sarapalha guimarães rosa“Este artigo tem por objetivo analisar a construção narrativa do conto “Sarapalha”, escrito por Guimarães Rosa e publicado em Sagarana (1946). Partimos da hipótese de que a estrutura do texto se baseia em elementos próprios da poética do gótico literário, tais como a apresentação do espaço como locus horribilis, a presença de personagens com aspectos monstruosos, a exploração, no plano temático, da morte e da doença, e, sobretudo, a criação de uma temporalidade circular e fantasmagórica.”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Revista Nonada, v. 2, n. 29 (2017). Republicamos aqui, com autorização dos próprios autores, com fins puramente acadêmicos.


Nos umbrais da Frívola City: perversão e modernidade em “Dentro da Noite”, de João do Rio (Bruno de Oliveira Tardin)

Resultado de imagem para rio de janeiro belle epoque“O trabalho que aqui se apresenta tem por objetivo analisar, a partir da teoria psicanalítica de tradição freudiana e jungiana, bem como dos postulados teóricos a respeito da representação da modernidade pela Literatura, de Latuf Isaias Mucci, Renato Cordeiro Gomes e Walter Benjamin, diante do clima de modernidade instaurado pelos anos da Belle Époque de manifestação carioca, bem como averiguar a manifestação de tipos e padrões perversos através do sujeito moderno, pelo viés do discurso literário de João do Rio em sua obra Dentro da noite. A meta é aplicar adequadamente a fortuna teórico-crítica resgatada no estudo dos contos presentes na coletânea de João do Rio, a fim de que se comprove a existência de uma fenomenologia da perversão dentro de seus tipos literários.”

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Quadros do Gótico na poesia brasileira (Fernando Monteiro de Barros)

Resultado de imagem para gótico na poesia brasileira“Em três diferentes momentos da poesia brasileira – Tarde (1919), de Olavo Bilac; Talvez poesia (1962), de Gilberto Freyre; Rua do mundo (2004), de Eucanaã Ferraz – podemos perceber a presença do Gótico em nossa literatura, em uma espécie de narrativa recalcada da cultura brasileira. O Gótico é um gênero que desliza entre os gêneros literários e transita entre a alta cultura, a cultura de massa e a cultura popular, além de ultrapassar as fronteiras do mundo anglo-saxão onde surgiu. Aqui, propomos a categoria de “Gótico brasileiro”, ou Brazilian Gothic, para perscrutarmos a manifestação desta estética das brumas espessas e dos castelos sombrios na literatura de um país solar, tropical e pertencente ao Novo Mundo como o Brasil.”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente no livro de ensaios Estudos do GóticoRepublicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


“Gótico no Brasil”, “Gótico Brasileiro”: o caso de Fronteira, de Cornélio Pena (Júlio França)

Resultado de imagem para fronteira cornelio penna“Fronteira (1935), obra de estreia de Cornélio Pena (1896-1958), vem atraindo, nos últimos anos, a atenção de muitos estudiosos da literatura gótica no Brasil, tais como Fernando Monteiro de Barros (2014) e Josalba Fabiana dos Santos (2012). Os estudos contemporâneos têm aprofundado a percepção de Luís Costa Lima, que, no livro “A perversão do trapezista” (1976), primeiro chamou atenção para os aspectos góticos do romance do escritor petropolitano. A comunicação ora proposta pretende justamente desenvolver essa hipótese, ao descrever “Fronteira” como uma das primeiras e mais bem acabadas realizações do que iremos chamar de “Gótico Brasileiro”, em oposição à ideia de ‘Gótico no Brasil'”.

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos Anais do XVI Encontro Abralic. Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.