Fronteiras difusas: o real e o fictício na literatura de crime (Pedro Sasse)

Resultado de imagem para literatura de crime“A literatura de crime é um dos temas que mais se mostram pródigos na produção desses textos limítrofes, sendo encontradas desde sua ascensão, no século XIX, em diversos subgêneros, como crônicas criminais, compilações de julgamentos, biografias de assassinos, romances baseados em crimes famosos etc. Dessa forma, acreditamos que a prodigalidade de obras de crime que buscam certa proximidade com o real é um sintoma de que tal elemento é um importante intensificador dos efeitos estéticos causados no público, que teria sua empatia pelas personagens ampliada diante dessa conexão do relato com a realidade. Para tentar demonstrá-lo, buscaremos, primeiro, expor como a literatura de crime estabelece esse diálogo com o real, para, depois, tentar entender, a partir de Iser, que processos são utilizados na produção dessas obras fronteiriças. Por último, buscamos relacionar essa estratégia à produção do medo de forma geral.”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente no livro de ensaios das Jornadas FantásticasRepublicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.

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Do inominável ao cientificamente explícito: monstros lovecraftianos (Aparecido Donizete Rossi e Nathalia Scotuzzi)

Resultado de imagem para cthulhu“Um dos pontos temáticos da obra de H. P. Lovecraft mais reconhecidos e comentados são seus monstros peculiares e inéditos. Cthulhu, por exemplo, é um dos monstros mais conhecidos da cultura pop dos séculos XX e XXI. Apesar disso, a crítica comumente considera apenas um grupo de seus monstros como paradigma para toda a sua obra: seres gelatinosos e tentaculares, impossíveis de serem descritos com precisão. A intenção desse artigo é demonstrar que Lovecraft apresentou, no percurso de sua carreira, diferentes tipos de monstruosidades, por vezes amorfos e inomináveis, mas por outras descritos cientificamente. Pretendemos, assim, elencar cada uma dessas categorias de monstruosidades e analisar suas implicações dentro de cada obra, a partir das reflexões de Luiz Nazário e Noël Carroll.”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Abusões, nº 04. Republicamos aqui, com autorização dos próprios autores, com fins puramente acadêmicos.


Linguagens do insólito: a construção estilístico-textual do grotesco na ficção decadente (Daniel Augusto)

Resultado de imagem para la bas huysmans“Tanto a literatura gótica quanto a ficção fantástica empregaram técnicas características da poética do grotesco para criar personagens e situações não apenas sobrenaturais, mas também capazes de causar horror e repulsa como efeitos de recepção. Por gerar seres disformes, sem unidade aparente e de difícil subsunção a categoias racionais, a arte grotesca é, de fato, pródiga em produzir tanto a hesitação própria ao fantástico quanto o medo essencial às narrativas de horror. No final do século XIX, a ficção decadente, tributária dessas duas tradições literárias, em sua busca por experiências estéticas originais e intensa, valeu-se sistematicamente de procedimentos típicos do grotesco literário. Este trabalho irá se centrar na descrição dos elementos grotescos no plano estilístico, como a partir do uso recorrente de neologismos e de palavras raras, de construções sintáticas inesperadas, além de inversões na ordem típica das estruturas sintagmáticas. Ao contrário do que a crítica muitas vezes apontou, tal estilo de escrita não foi fruto de uma erudição vazia ou de simples dialetantismo artístico; na verdade, sua utilização foi intencional, voltada exatamente para intensificar a fruição estética. A fim de demonstrar o emprego dessas estratégias textuais e estilísticas empregadas pela ficção decadente, analisamos trechos do romance Là-bas (1891), de J.-K. Huysmans, e o conto “Agonia por semelhança”, publicado por Gonzaga Duque em Horto de Mágoas (1914).”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Abusões, nº 05. Republicamos aqui, com autorização dos próprios autores, com fins puramente acadêmicos.


Aspectos da crítica sobre a obra de Cornélio Penna: do romance intimista ao mistério (Jozelma Ramos)

Imagem relacionada“O presente trabalho é uma abordagem ao livro A menina morta (1954), de Cornélio Penna. Intenta-se refletir sobre alguns aspectos da crítica sobre essa obra e, para tanto, foi estudada a fortuna crítica de Penna, que revela o fato de que alguns de seus estudiosos, a princípio, fizeram uma leitura da obra do autor como um romance intimista de cunho social, apesar de já apontarem a presença do mistério na obra corneliana. Além disso, foram indicados elementos do texto de A menina morta que remetem às narrativas de mistério, as quais ganharam importância e novos contornos com o advento do romance moderno – como o romance gótico e as narrativas policiais – sem, no entanto, classificar o texto corneliano dentro dessas ou de quaisquer outras narrativas de mistério.”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Revele, v. 9 (2015). Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos. 


Gótico-Naturalismo: a poética do desencanto (Marina Sena)

Imagem relacionada“Gótico e Naturalismo não são frutos de causas similares. O primeiro caracteriza-se por ser uma estética essencialmente negativa, resultante de um forte desencanto com a modernidade e uma profunda desconfiança em relação aos discursos da razão – seja ele iluminista ou positivista. Tal estética concretiza-se, enquanto forma artística literária, em uma série de aspectos formais e conteudísticos recorrentes (FRANÇA, 2015; STEVENS, 2000): (i) a produção do medo como efeito estético de recepção; (ii) a relação fantasmagórica com o passado, que ressurge para assombrar o presente; (iii) a caracterização de personagens como monstruosidades, por conta da própria natureza humana ou de psicopatologias; (iv) o desenvolvimento de enredos que exploram, tanto no plano da diegese quanto no da recepção, efeitos melodramáticos e emocionais; (v) a utilização contínua de campos semânticos relacionados à morte, à morbidez e à degeneração física e mental; vi) a construção de espaços narrativos, exóticos ou familiares, que são descritos como loci horribiles; vii) o aprofundamento na psicologia das personagens, sobretudo no que concerne a questões relacionadas à sexualidade; viii) a estratégia narrativa da “moldura”, com a exploração labiríntica de tramas dentro de tramas.”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente no livro de ensaios das Jornadas FantásticasRepublicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.

 


Elipses do medo em “A menina morta”, de Cornélio Penna (Luiz Eduardo da Silva Andrade)

Resultado de imagem para a menina morta cornelio penna“A visão de mundo, em cada período histórico, pode ser determinada pelas figuras geométricas que foram privilegiadas na época (…). Ao transportarmos essa ideia para a escrita de Cornélio Penna (1896-1958) em A menina morta (1954), nasce um problema que é a compreensão das metáforas, entremeadas à forma como o romance é dimensionado, tanto no aspecto espacial quanto narrativo. Este último nos interessa especialmente, uma vez que buscamos compreender como a narrativa é delineada a partir dos movimentos das personagens na ação de uma sobre a outra, impulsionando-as à reação, à busca, à descoberta. Entendemos que o medo seria um operador narrativo do deslocamento das personagens durante a história.”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente no livro De Monstros e Maldades, publicado pela Editora Appris. Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


Construção da sensibilidade burguesa por meio do espaço em “The Mysteries of Udolpho” de Ann Radcliffe (Natália Cortez do Prado)

933b04edd1b688b41d16891a1c2cfb5e“Em fins do século XVIII, Ann Radcliffe se estabeleceu como uma das romancistas mais famosas de sua época, atingindo o ápice de sua carreira com seu quarto romance, intitulado The Mysteries of Udolpho (1794). Apesar de ser um dos romances góticos ingleses mais importantes, ele ainda apresenta questões pouco exploradas pelos críticos. The Mysteries of Udolpho possui uma das características mais fortes das obras de Radcliffe: a minuciosa elaboração do espaço. Em vista disso, este estudo analisa e discute as funções do espaço, o qual está organizado em natural e construído. A análise centra na maneira como esse aspecto temático-estrutural se relaciona com as ações e relações pessoais da protagonista Emily com as demais personagens. Discutimos como diferentes tipos de espaço tornam-se essenciais por participarem de forma enfática na construção ideológica das personagens, no que diz respeito à associação entre sentimentalismo e racionalidade. Assim, a relação entre espaço e personagens nesse romance expressa aspectos importantes da complexa construção da sensibilidade burguesa na Inglaterra do século XVIII.”

Leia a dissertação completa aqui.