A compreensão da literatura gótica na história da literatura brasileira e as bases para sua reavaliação (Sérgio Luiz Ferreira de Freitas)

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O presente artigo busca, em primeiro lugar, observar como a literatura gótica é compreendida nos livros História Concisa da Literatura Brasileira (1970) de Alfredo Bosi, e Formação da Literatura Brasileira: momentos decisivos (1962) de Antônio Candido. A partir desse levantamento, buscaremos compreender de forma mais abrangente o que é o fenômeno gótico na literatura a partir de algumas reflexões propostas a partir dos textos “The genesis of ‘Gothic’ fiction” (2002), de E. J. Clery, e “Estatutos do Sobrenatural na narrativa” (2001) de Francesco Orlando. Essas reflexões funcionarão como uma possível base para a reavaliação do lugar ocupado pela ficção gótica na literatura brasileira, a partir da exemplificação da presença desse tipo de literatura nas bibliotecas existentes no país no século XIX, assim como a indicação de possíveis variedades de obras nacionais que podem ser interpretadas sob o prisma da narrativa gótica.

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Muitas Vozes, v. 7, n. 2 (2008)Republicamos aqui, com autorização dos próprios autores, com fins puramente acadêmicos.


Frankenstein, de Mary Shelley, e Drácula, de Bram Stoker: gênero e ciência na literatura (Lucia de La Roque e Luiz Antonio Teixeira

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“As obras literárias têm, através dos tempos, dado voz aos medos e esperanças gerados pelas descobertas científicas e retratado as imagens e mitos em torno da própria ideia de ciência. Diversos parâmetros podem contribuir para estas representações da ciência, como a cultura e a classe social na qual estão inseridos os autores das obras em questão. Não se pode negar, também, a influência do gênero, já que, pela dominação da ciência pela esfera masculina de ação, o fato de a obra ser de autoria feminina ou masculina pode determinar uma peculiar caracterização do mundo científico. Neste artigo, através de uma análise comparativa de duas importantes obras literárias do século XIX, Frankenstein, de Mary Shelley, e Drácula, de Bram Stoker, são colocadas em relevo questões relativas à visão de ciência e sua relação com o gênero. Enquanto Shelley, como mulher, afastada do mundo científico, descortina em Frankenstein toda sua desconfiança em relação ao mesmo, Stoker, protótipo do homem vitoriano, imprime em Drácula sua sólida confiança na ciência.”

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista História, Ciências, Saúde – Manguinhos, vol. VIII, n. 1. Republicamos aqui, com autorização dos próprios autores, com fins puramente acadêmicos.


A prosa de ficção decadente brasileira e francesa (1884-1924): uma poética negativa (Daniel Augusto Pereira Silva)

Resultado de imagem para decadentismo frances“Este trabalho tem por objetivo analisar como as ficções decadentes brasileira e francesa se estruturaram em nível temático, discursivo e narrativo. Pretende-se, ainda, engendrar modelos teóricos capazes de identificar e de explicar uma produção artística que, em seu conjunto, foi pouco sistematizada pelos estudos literários. O corpus ficcional de análise é composto por narrativas decadentes brasileiras e francesas, que datam do final do século XIX até meados do XX, mais especificamente do período entre 1884 e 1924. Parte-se da hipótese de que a ficção decadente se constituiu como uma poética negativa dedicada a tematizar a degradação humana, conjugando uma visão de mundo pessimista com determinados procedimentos técnicos, com o intuito de gerar efeitos de recepção como o medo e a repulsa. Sustenta-se, ainda, que a decadência literária produziu obras ficcionais estruturalmente bastante semelhantes, ,tanto em suas configurações narrativas quanto em seus temas, independente da literatura nacional à qual se associou. Inicialmente, a partir dos estudos de Jean Pierrot, Séverine Jouve, Marquèze-Pouey e Jean de Palacio sobre a decadência literária, apresentam-se algumas definições sobre os principais temas e ideais que estruturam essa ficção, bem como sua linguagem típica e a sua recepção crítica e historiográfica na França e no Brasil. Em seguida, propõe-se uma análise narratológica da ficção decadente, com base nos trabalhos de Gérard Genette, Mieke Bal e Filipe Furtado. Nessa seção, abordam-se os personagens, os enredos, os espaços, os tempos narrativos e os modos de narrar característicos dessa forma literária. Por fim, empreende-se uma investigação sobre as monstruosidades típicas dos textos decadentes, tendo como base teórica o ensaio “O Monstro”, de J. -K. Huysmans e os modelos de Noël Carroll sobre o Horror artístico. Como demonstração ficcional de tais monstros, apresenta-se uma breve análise dos romances À Rebours (1884) e En rade (1887), ambos de J. -K. Huysmans, bem como Dança do Fogo: o Homem que não queria ser Deus (1922) e Kyrmah: Sereia do vício moderno (1924), de Raul de Polilo.”

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Justa vingança: uma leitura aproximativa dos romances “Crônica da casa assassinada” e “O morro dos ventos uivantes” (Rogério Lobo Sáber)

Resultado de imagem para casarão gótico“As obras Crônica da casa assassinada e O morro dos ventos uivantes – escritas, respectivamente, pelos autores Lúcio Cardoso (1912-1968) e Emily Brontë (1818-1848) – podem ser lidas como textos que, além de explorarem elementos da estética gótica literária, partilham uma trama que se movimenta a partir dos planos de vingança executados por seus protagonistas Nina e Heathcliff. Em primeiro lugar, desejamos delimitar quais elementos e temas são explorados pelos textos que nos permitem compará-los com os romances pertencentes à literatura noir dos séculos XVIII e XIX. Na sequência, prevemos a aproximação de ambos os romances, de maneira que possamos compreender as razões da vingança de cada um dos agentes, os instrumentos utilizados, o modo de execução do plano e, por fim, as consequências do ataque levado a cabo. A aproximação proposta, além de confirmar que os textos podem ser lidos como obras góticas, indica-nos conclusões de ordem filosófica a respeito do tema em estudo (vingança).”

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(*) Dissertação de mestrado apresentada ao Instituto de Estudos da Linguagem da UNICAMP, no ano de 2014. Republicamos aqui, com fins puramente acadêmicos.


Interseções entre os gêneros policial e gótico em Pedro Bandeira (Márcio Alessandro de Oliveira)

foto blog“Este trabalho é o exame de duas narrativas do brasileiro Pedro Bandeira (1942): Anjo da Morte (1988) e Pântano de Sangue (1987), cuja diegese, como se pretende demonstrar nos capítulos a elas correspondentes, emprega a fórmula do romance policial ao mesmo tempo que se serve dos três elementos precípuos do Gótico literário: o locus horribilis, o fantasma do passado histórico e o monstro. Em Anjo da Morte tais componentes configurariam o Gótico no Brasil, formado por elementos estrangeiros situados no Brasil ou em outro país por escolha de um autor brasileiro, ao passo que em Pântano de Sangue evidenciariam um Gótico brasileiro, caracterizado pela ocorrência de elementos deste gênero com cores autóctones. O objetivo principal é o de investigar o modo como as duas aventuras de Pedro Bandeira se inserem na tradição da narrativa policial, gênero em que as personagens são extremamente racionais, e o modo como empregam os referidos ingredientes do Gótico. Este mantém o medo como o ponto de contato em comum mais visível com o gênero policial. No caso específico de Pedro Bandeira, certos tipos de obscuridade, como torres, passagens secretas e prisões, guarnecem o locus horribilis, o passado histórico que assombra o presente e o monstro, marcados, nas produções literárias aqui examinadas, pelo fantástico-estranho, e não pelo fantástico-maravilhoso.”

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(*) Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Letras e Linguística da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), no ano de 2018. Republicamos aqui, com fins puramente acadêmicos.

 

 


Um vasto prazer, quieto e profundo (Eliane Robert Moraes)

Imagem relacionada“A descrição da tortura de um rato, no conto “A causa secreta” de Machado de Assis, pode parecer tímida se comparada às cenas de suplício narradas por Sade. Todavia, uma leitura mais atenta encontrará ali as condições essenciais para a eclosão de uma misteriosa forma de prazer que costuma estar associada à figura do “sádico”. Uma tal aproximação surpreende ainda mais quando se constata que o sadismo do protagonista do conto assume contornos bem mais verossímeis do que as inconcebíveis fabulações de crueldade dos devassos do marquês. Este texto parte do confronto entre os dois autores, valendo-se do diálogo entre uma dimensão estética (o realismo) e outra ética (o mal), na tentativa de propor uma interpretação do conto machadiano.”

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos anais do Revista Estudos Avançados (USP), v. 23, n. 65.. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.


Nos subterrâneos do gótico feminino moderno: um olhar em “O Jardim Selvagem”, de Lygia Fagundes Telles (Camila Batista e Alexander Meireles da Silva)

Resultado de imagem para o jardim selvagem lygia“O que vale ressaltar é o devido interesse em atentar para a personagem como heroína a partir das suas transgressões mesmo havendo indícios de modelos patriarcais. Neste conto, Lygia Fagundes Telles abre as possibilidades de reflexão para as relações homem/mulher. Temos o aspecto da mulher fatal como heroína gótica perante a sua transgressão, confrontando as margens que incumbira desde os primórdios da tradição patriarcal. Daniela era o que queria ser, talvez somente para ela, podendo optar por isso, não transparecendo totalmente sua essência, sendo, como Tio Ed dizia, um “jardim selvagem”.”

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