Meu tio o Iauaretê e a experiência abissal (Josué Godinho)

Resultado de imagem para meu tio iauaretê onça“Este texto busca formular perguntas e problematizar a natureza da violência que se encena no conto ‘Meu tio o Iauaretê’, de João Guimarães Rosa. Neste conto há um tipo de violência que está na ordem do absurdo, destituída de razão ou explicação aparentes. A violência que ali se encena, pela absurdidade e pela carência de fundo e razão, não parece admitir da crítica respostas satisfatórias, abalando, inclusive, os conceitos de representação e de representação da violência. “Meu tio o Iauaretê”, questionando as bases de qualquer racionalidade, se insere na ordem de uma violência crua e desprovida de sentidos, impactante por sua carência de motivações aparentes além da dissolução de limites entre o humano e o animal – espécie de monstruosidade – e por sua esterilidade. Interessa-nos a experiência abissal dessa violência que não se deixa reduzir e que mesmo depois do fim da fala dissemina-se para além do texto, incômoda e renitente. Tal leitura terá apoio teórico, principalmente, de Jacques Derrida.”

Leia o ensaio completo aqui.

(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na revista Em Tese, V. 22, N. 2, 2016. Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


“Meu tio, o Iauaretê” (Guimarães Rosa)

Resultado de imagem para onça preta ilustração“- Hum? Eh-eh… É. Nhor sim. Ã-há, quer entrar, pode entar… Hum, hum. Mecê sabia que eu moro aqui? Como é que sabia? Hum-hum… Eh. Nhor não, n’t, n’t… Cavalo seu é esse só? Ixe! Cavalo ta manco, aguado. Presta mais não. Axi… Pois sim. Hum, hum. Mecê enxergou este foguinho meu, de longe? É. A’pois. Mecê entra, ce pode ficar aqui.”

Leia o conto completo aqui.


O serial killer como narrador em Zombie, de Joyce Carol Oates (Luciano Cabral)

Resultado de imagem para zombie joyce carol oates“Partindo do julgamento de Adolph Eichmann e das observações de Arendt, pretendo mostar que há uma estreita relação entre o que acontece e o relato deste acontecimento (ou entre fábula e enredo, respectivamente). A pesquisa que planejo, como doutorando, encontra-se justamente nesta relação. A narrativa do serial killer enquanto produtor e transmissor do horror (um horror artístico) que ele mesmo inflige é meu corpus de investigação – por isso, a necessidade de sua narração ser autodiegética. As obras ficcionais de crime têm frequentemente utilizado informações sobre matadores seriais reais para compor suas tramas. Porém, assim como Eichmann, o comportamento deste assassino real é tão trivial e suas motivações tão banais, que ele se torna ineficiente como narrador de seus próprios atos horríveis. Para que eventos e relatos tornem-se igualmente horríveis, argumento ser preciso alinhar estes dois elementos. Isto implica dizer que a narrativa deve afastar-se da monotonia discursiva do serial killer real. Há romances, entretanto, que optam por manter esta monotonia discursiva, como parece ser o caso de Zombie (1995), de Joyce Carol Oates. Se é correto afirmar tal coisa, como este assassino ainda mantém (se é que mantem) seu caráter horrível? Explorar as estratégias narrativas desta obra parece ser o caminho para responder a esta pergunta.”

Leia o ensaio completo aqui.

(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos Anais do XV Congresso Internacional da ABRALIC. Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


Zombie (Joyce Carol Oates)

Resultado de imagem para zombie joyce carol oates“Meu nome é Q__ P__ & eu tenho trinta e um anos de idade, três meses. Um e oitenta de altura, sessenta e sete quilos. Olhos castanhos, cabelos castanhos. Corpo médio. Algumas sardas espalhadas pelos braços, costas. Astigmatismo nos dois olhos, lentes de correção exigidas para dirigir. Características distintivas: nenhuma. Exceto talvez estas tênues cicatrizes em forma de minhoca nos dois joelhos. Eles dizem que foram de um acidente de bicicleta, eu era pequeno. Eu não questiono, mas eu não lembro.”

Compre aqui Zombie, de Joyce Carol Oates.


Traduções do vampiro: um estudo histórico-literário (Bruno Berlendis)

 “No Ocidente moderno, o vampiro é mais do que uma personagem, é um tipo. Resultado de imagem para dracula illustration
Ao se tornar objeto de diversas modalidades de produção simbólica – desde teórico-investigativa a poética e funcional – o vampiro é constituído em uma temática. Esta pesquisa busca compreender o alcance de tal tematização: premissas, procedimentos comuns. Muito problemático é o pressuposto de uma correlação derivativa entre vampiro literário e conteúdos folclóricos. De resto, ao longo do séc.XIX, o que será chamado de “cultura popular” sofrerá uma radical matização de significados. O trabalho consiste no esforço de contextualização histórico-interpretativa de um grande conjunto de textos; busca averiguar os modos pelos quais são relacionados os elementos tematicamente agrupados.”

Leia a dissertação completa aqui.


A categoria estética do grotesco e as poéticas realistas: uma leitura de “Violação”, de Rodolfo Teófilo (Júlio França)

Resultado de imagem para violação rodolfo teófilo“O objetivo deste artigo é demonstrar como as poéticas realistas da literatura são tributárias de procedimentos estéticos característicos do que se convencionou chamar de arte grotesca. Para ilustrar essa hipótese, tomamos uma narrativa do Naturalismo oitocentista brasileiro, Violação (1898), do escritor cearense Rodolfo Teófilo. Antes, porém, propomos uma descrição do conceito de grotesco com o qual trabalhamos, a partir das contribuições de Victor Hugo (2009), Wolfgang Kayser (2002), Mikhail Bakhtin (2010) e Geoffrey Galt Harpham (2006).”

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente em Figurações do real: literatura brasileira em foco, Relicário Edições (2017). Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


Edgar Allan Poe e a simbologia do medo (Marihá Lopes)

ravenpoe“Edgar Allan Poe teve sua história rodeada por mistérios e sua obra não poderia ser diferente, sendo um escritor reconhecido como um dos precursores do fantástico estranho, comentado e aclamado pela crítica. Suas narrativas são centralizadas no indivíduo e em seus problemas pessoais referentes à alma e aos sentimentos. Dentre diversas características, sua obra se destaca pelo confronto entre o mundo interior e o mundo exterior, criando narrativas de mistério, alucinações, terror e morte, que podem retratar os medos e as ansiedades que assombram a mente humana. ‘O corvo’ é um dos poemas mais famosos do escritor, cujo tom mórbido e depressivo prevalece ao longo da escrita. Já ‘O gato preto’ traz à tona um estudo da psicologia da culpa, através de um narrador assassino, cuja mente doentia usa a lógica para explicar o que uma mente normal iria entender intuitivamente. Nesse sentido, os conflitos internos dos protagonistas são tão fortes que a realidade pode se apresentar distorcida pelo imaginário. Observamos, assim, que é dentro do imaginário humano que vários símbolos ganham significados. Considerando isso, trabalhamos representações do medo em ‘O corvo’ e ‘O gato preto’, através de imagens ou elementos presentes e suas possibilidades simbólicas.”

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos Anais do CENA IV. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.