Gótico: o vampiro da literatura (Camila Mello)

old-book“Quando decidi me aprofundar no estudo do gótico pósmoderno por meio do romance Lady Oracle (1976), de Margaret Atwood, surpreendi-me com o fato de que o gênero começou a ser produzido no século XVIII, e que eu, no começo do XXI, estava contribuindo para a continuação de uma existência bastante longa. Uma questão veio à tona: de que maneira um gênero literário consegue perdurar por mais de três séculos com tanta vitalidade? Talvez o gótico tenha se transformado em sua imagem mais conhecida: um vampiro imortal, sedutor e misterioso. Viajei no tempo até o século XVIII para tentar encontrar a chave de trezentos anos de tal narrativa – melhor: quis descobrir que tipo de sangue o gótico havia bebido para manter sua longevidade. O que apresento neste texto é parte dessa pesquisa. Primeiro, ofereço o pano de fundo histórico do gótico no século XVIII; depois, relaciono o gênero ao pósmodernismo, definindo a chave para o seu sucesso nos últimos três séculos; finalmente, discuto a literatura gótica nos séculos XX e XXI, trazendo uma descrição mais detalhada do romance de Atwood.”

Leia o ensaio completo

(*) Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Vozes em Diálogo em 2008 Republicamos aqui, com edições e autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.


Simpósio do Grupo de Pesquisa Estudos do Gótico no III Congresso Internacional Vertentes do Insólito Ficcional

Estão abertas as inscriçõ10922108_339538719586910_2008192744_nes para o  III Congresso Internacional Vertentes do Insólito Ficcional/XV Painel Reflexões sobre o insólito na narrativa ficcional com a temática “A personagem nos mundos possíveis do insólito ficcional”

O evento acontecerá na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, de 15 a 19 de novembro de 2016.

O Grupo de Pesquisa Estudos do Gótico contará com um simpósio na ocasião: O vilão gótico e suas metamorfoses – literárias e transliterárias, sob a coordenação dos professores Fernando Monteiro de Barros (UERJ-FFP) e Luciana Colucci (UFTM).

Se você possui algum trabalho sobre o tema ou tem interesse em acompanhar os debates, não deixe de participar. A submissão de proposta de comunicação aos simpósios vai até o dia 20 de setembro de 2016.

Confira também os outros simpósios abertos para inscrição aqui. Mais informações podem ser encontradas no site oficial do evento.


Aspectos do Gótico e do Fantástico em Théophile Gautier (Amanda Fratucci)

lamorteamoureuse“O conto fantástico é uma das produções mais características da narrativa no século XIX. Ele nasce como modalidade literária no início do século no Romantismo alemão, com a intenção de representar o mundo interior e subjetivo da mente, da imaginação humana, conferindo a ela uma importância maior do que a da razão e realidade. Porém, antes disso, já na segunda metade do século XVIII, o romance gótico na Inglaterra havia explorado temas e ambientes que serviriam de base ao fantástico. Na França, a literatura fantástica está muito ligada ao período do Romantismo. Segundo Pierre-Georges Castex (1962), no Romantismo, o gosto pelo sobrenatural, pelo mistério e a procura pelo absoluto deram abertura à grande produção de contos fantásticos que teve uma grande influência de E.T.A. Hoffmann, influência essa que pode ser verificada em Théophile Gautier. Uma das narrativas fantásticas mais representativas de Théophile Gautier é ‘La morte amoureuse, publicada em 1836. Esse texto, ao mesmo tempo em que apresenta componentes advindos do romance gótico, estrutura-se como narrativa fantástica, apresentando elementos que causam ambiguidade fantástica. Este artigo busca, portanto, verificar os aspectos da literatura gótica no conto selecionado, bem como os elementos que o caracterizam como uma narrativa fantástica.”

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos Anais do SILEL 2013. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.


Representações das cidades em ruínas de H.P. Lovecraft (Dora Nunes Gago)

maxresdefault“A produção literária de Howard Philips Lovecraft (Providence, Rhode Island,1890-1937) inscreve-se no domínio da Literatura Fantástica, aproximando-se de Edgar A. Poe, na criação de mundos fantásticos peculiares, dominados pelo horror. Estes expressam, frequentemente, a pequenez, a solidão e insignificância do ser humano, no seio de um universo infinito, amoral, hostil e desprovido de significado. Neste contexto, o medo é gerado não apenas pelos monstros provenientes do espaço cósmico ou de eras remotas, mas por uma consciencialização da situação do Homem no mundo.”

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Máthesis, nº 22, 2013. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.


O Gótico e o Orientalista: uma leitura de Vathek, de William Beckford (André Astorino)

VathekStockh1927Vathek, primeiro romance do escritor inglês William Beckford publicado em 1786, é considerado por muitos uma obra singular. Combinando certos elementos dos chamados romances góticos com uma ambientação oriental, a narrativa coloca diversos problemas a respeito de sua complexa natureza estilística. Muitos estudiosos já tentaram associar a obra a alguma dessas tradições de forma definitiva. Neste trabalho, realizaremos uma nova leitura do romance para, então, confrontarmos nossos achados com a fortuna crítica. O intuito desse procedimento é o de verificar se, diante das questões suscitadas pela própria obra, termos como ‘gótico’ ou ‘orientalista’ podem descrever Vathek de maneira precisa.”

Leia aqui a dissertação completa


Vathek (William Beckford)

sardanapalus“As negras nuvens que sombreavam a face do céu aumentavam os horrores da tenebrosa noite, tanto mais que nada se podia ouvir distintamente, exceto o choramingar dos pajens e a lamentação das sultanas. (…) os lobos, e outros animais carnívoros, atraídos pelo uivo de seus companheiros, acorreram em bandos de todos os cantos; o triturar de ossos ouvia-se de todos os lados (…)”

Leia aqui o romance, em inglês


Pesadelos dionisíacos: natureza, sexo e medo na literatura brasileira (Julio França e Daniel Augusto P. Silva)

Peter_Paul_Rubens_-_Two_Satyrs_-_WGA20303“O ensaio tem como objetivo investigar as relações entre natureza, sexo e medo na literatura. Inicialmente, propõe-se uma reflexão crítica sobre o tema, a partir dos trabalhos do Marquês de Sade, de Sigmund Freud, de Georges Bataille e de Camille Paglia. Procurou-se mostrar como o sexo pode ser tomado como a manifestação primordial das forças naturais no homem, sendo exatamente o ponto de contato da humanidade com seu lado mais dionisíaco, primitivo e, diversas vezes, perverso. Na modernidade, essa potência cruel do sexo foi frequentemente entendida como uma ameaça à razão e à organização social. Para ilustrar como a imbricação entre natureza humana, sexualidade e horror vem se tornando um topos da ficção ocidental, tomaram-se quatro narrativas ficcionais brasileiras: Noite na taverna (1855), de Álvares de Azevedo, “Noivados trágicos” (1898), de Medeiros e Albuquerque, “Dentro da noite” (1910), de João do Rio, e “O espelho” (1938) de Gastão Cruls.”

Leia aqui o ensaio completo

(*) Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Círculo de Giz, nº 1, 2015. Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


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